domingo, 3 de junho de 2012

MYTRE - UNIDADE



UNIDADE
Por Suzanne Lie PhD
Em 28 de maio de 2012

(Continuação da mensagem "Reconhecimento")



MYTRE CONTINUA:

Dormimos juntos num pequeno nicho no saco de dormir desgastado dela. Porém, ela colocou alguma coisa debaixo dele que o deixou incrivelmente quente e macio. Ela dormiu como um bebê. Eu, claro, dormi muito pouco. Primeiro, minha mente não parava. Tudo em que eu sempre acreditei, toda a estrutura, lições, disciplina e obediência com que fui criado revelaram-se como o antigo paradigma de minha vida passada.

Deitado ali com seu corpo quente perto do meu, na verdade, MUITO perto do meu, eu soube que havia mudado para sempre. Eu não fazia ideia no que havia me transformado, mas tinha certeza de que o "eu" que eu fora havia tido morte súbita. Deitado na escuridão, aquecido e com o aroma de seu corpo enchendo meu coração, eu revi minha vida. Eu nasci numa família de militares. Não havia escolha quanto ao que eu faria. Claro, eu seria um militar. O legado de nossa família era proteger nosso mundo, nosso modo de vida.

Entretanto, desde que viemos para este planeta, nossa realidade tinha mudado enormemente. Pela primeira vez em minha vida, eu estava com 90 de seus anos, um jovem adulto, eu não SABIA o que seria de minha vida. Antes de nosso povo ser capaz de "abrir a guarda" e sentir-se seguro em nosso novo lar, eu tinha uma contribuição importante. Porém, conforme vi os outros se assentando e mudando totalmente sua perspectiva na vida, eu me agarrei firmemente à doutrina que tive desde meu nascimento.

Talvez eu fosse uma pessoa única e talvez eu pudesse encontrar uma experiência de vida única que era diferente de todas as gerações de nossa herança orgulhosa e valente? Esse tipo de pensamento esteve escondido em meu cérebro desde que eu era criancinha. Desde então, eu nunca permiti que esses pensamentos viessem à tona. Então, literalmente, saí atrás de uma mulher e experimentei toda a sua experiência de vida única. Foi então que esses pensamentos da infância, ocultos, começaram forçar seu caminho para a superfície.

Como eu poderia deixar de lado tudo que eu havia assumido, tudo que eu acreditava que me definia como um homem poderoso e tudo que eu pensava que eu amava? Agora, em uma noite muito longa, eu tinha me tornado uma pessoa diferente. Entretanto eu não conhecia essa nova pessoa, então eu não fazia ideia de quem eu era ou do que eu faria. Eu apenas sabia que não poderia voltar à nossa vila neste estado de confusão.

Como se tivesse ouvido meus pensamentos, Mytria virou-se para mim com os olhos abertos e sorriu. Agora não havia dúvida. Eu tão somente não podia voltar a uma vida que perdera o significado, como também não poderia deixar aquele sorriso.

Mytria silenciosamente levantou-se e acendeu sua pequena fogueira. Observei-a pôr água em sua pequena panela para fazer o NOSSO chá, então saiu, provavelmente para se lavar. Sem ela ao meu lado, senti-me solitário. Mas como? Eu acabara de conhecê-la, mas sentia como se sempre estivéramos juntos.

Quando ela saiu, fui até minha mochila e peguei meu comunicador.
Porém, ele não funcionava ali. "Talvez seja a gruta", pensei ao me levantar para sair da gruta e usá-lo.

Antes mesmo de se virar para mim, ela disse: "Seu comunicador não funcionará aqui. Há um campo etéreo ao redor desta área e nenhuma tecnologia funciona aqui. Acredite-me, eu tentei."

Quando ela se virou para mim para continuar falando, tive aquela mesma sensação de reconhecimento e quaisquer dúvidas a respeito de eu ficar desapareceram.

"Decidiu ficar?"

"Você sempre lê meu pensamento?"
Eu disse com um sorriso na minha voz.

"Somente quando você está pensando em mim", ela sorriu de volta.
"Está evitando minha pergunta?"

"Sim", eu disse. "Eu estava pensando que deveria lhe pedir primeiro."

"Sim!"

"Sim, eu deveria pedir ou sim, eu deveria ficar?"

"Sim, eu adoraria conhecer você e lhe mostrar o meu mundo."

"Eu terei de dizer a eles que você está em segurança e que não vou voltar - ainda."

"Então vai destruir esse comunicador?"

Eu não tinha pensado em fazer minha decisão tão permanente, tão inalterável, mas eu percebi que esse tipo de mudança que eu estava encarando exigia meu compromisso total.

"Sim."

"Gostaria de me ajudar a encontrar alguns ovos? Vou pedir aos pássaros se eles podem nos entregar algum para nós."

Depois que comemos os ovos entregues e mais umas verduras deliciosas que ela temperou com suas ervas desconhecidas, ela me mostrou o portal de saída do campo de energia e virou-se para voltar para sua casa.

"Não vai comigo para ter certeza de que eu destruí o comunicador?"
Eu disse provocativo.

"Confio em você."
Ela disse enquanto se virava.

-x-

A confiança dela foi a parte mais maravilhosa de minha experiência. Ela não somente confiava totalmente em mim, que ela disse ser porque ela me conhecia, ela também confiava totalmente na Natureza. Ela vivia todos os seus momentos em unidade com o planeta e com a flora e a fauna, com que ela compartilhava sua vida. Não havia diferenciação entre o que era vivo e o que não era. Tudo, até uma pedra, era vivo no mundo dela.

Eu queria compartilhar seu mundo, mas minha mente científica rebelava-se com tal pensamento romântico. Eu nunca tinha percebido como estava doutrinado até que tentei mudar minha mente. Por outro lado, meu corpo não apresentou resistência à mudança. Eu rapidamente me esqueci de meu uniforme e somente usava aquilo com que eu normalmente dormia. O clima normalmente era quente de dia e frio à noite, mas nossa cama estava sempre quente.

Quando não estava muito frio, nós dormíamos ao relento e ela me mostrava todo o Sistema Estelar que ela descobrira. Eu podia incluir muitos dos nomes oficiais, mas eu normalmente preferia os nomes que ela havia dado. Durante o dia, dávamos longos passeios para que ela pudesse me mostrar todo o território que ela mapeara. Eu a assistia nisso. Havia uma planta que crescia perto de um rio próximo que ela aprendera a "bater" até virar um tipo de papel e ela escrevia nele com "tinta" que era drenada de uma determinada árvore.

Outras plantas podiam ser secadas e trançadas em tecido, do qual ela me fez uma roupa inacreditavelmente confortável. Ela também me mostrou onde estavam todos os vegetais comestíveis e também sua fonte de mel. Ela me mostrou como ficar tão imóvel que um pássaro pousava em meu ombro e tão silencioso que eu podia ouvir o batimento de meu coração.

Felizmente eu não era inútil. Eu tinha a força que faltava a ela e algumas ferramentas, que nos permitiram deixar nosso lar ainda mais confortável. Sim, era o NOSSO lar. Nós vivíamos nele como uma pessoa, dividindo todas as tarefas sem conflito ou obrigação. Se algo precisava ser feito, nós fazíamos. Porém, nós tínhamos nossas especialidades. Se nós precisávamos montar ou mover alguma coisa, era comigo. Por outro lado, se nós precisávamos consultar a Mãe, era com ela.

Então um dia ela me disse que era hora de eu me tornar UM com o Planeta Mãe. Eu lhe disse que não tinha ideia de como fazer isso, e sendo bem franco, eu não achava que a Mãe quisesse se tornar UMA comigo.

"Como pode dizer isso?" ela disse com a voz chocada.

"Eu não sou puro como você. Eu matei muitos seres e destruí muita terra. Tenho sido um guerreiro onde o amor de que você fala é uma fraqueza e a confiança que você tem é mera tolice."

"VOCÊ acha isso?"

Eu tive de pensar antes de responder.
Ela merecia uma resposta verdadeira e eu ainda não conhecia minha verdade.
Então, tudo que pude dizer foi:

"Já achei, mas esse eu não existe mais. Eu não conheço o suficiente deste eu novo para responder sua pergunta. Eu acredito em você e vejo a grande força que você ganhou não pelo domínio, mas pela entrega. Porém, eu não acho que seja possível eu me conectar com algo tão vago como a Grande Mãe."

"Você não precisa se entregar a Ela, pois eu sou Sua representante. Portanto, você pode se entregar a mim. Normalmente é assim com os homens. A mente deles é cheia de proteção e dever. Somente um profundo amor com uma mulher pode permitir que eles liberem suas proteções e totalmente se entreguem."

"Como sabia que eu a amava profundamente? Acho que nem mesmo eu sabia até você dizer essas palavras."

Sem uma palavra dita, ela me levou para a nossa gruta para me dar a "prova" que eu precisava.
Quando nos fundimos no ato do amor, nossa consciência se entrelaçou tão profundamente que eu pude sentir como ela comungava com toda a vida. Com este sentimento compartilhado entre nós, ela me mostrou como tocar o solo para encontrar água, cheirar a planta e pô-la em meu coração para determinar se é seguro comê-la, pedir a um pássaro para entregar um ovo, ler o tempo muito antes de ele mudar e como olhar para o meu EU.

"Seu relacionamento com a Mãe depende de seu relacionamento com o seu EU."
 Ela vivia me dizendo.

No início, o relacionamento com o meu EU só se dava como um subproduto do meu relacionamento com ela. Nunca me ensinaram a ter um relacionamento com o meu EU. Fui ensinado a seguir ordens, cumprir meu dever e obedecer aos meus oficiais superiores. Passei minha vida sendo o "efeito" de uma "causa" externa. Se eu tinha sucesso em meu empreendimento, eu ficava feliz e orgulhoso de mim. Se eu falhava em meu dever, ficava envergonhado e furioso comigo.

Nunca ouvira sobre a versão "maior" ou "superior" do meu EU de que Mytria falava. A única parte maior de mim era meus companheiros guerreiros e meu eu superior era meus comandantes. Eu viva no exterior de mim. Dentro de mim havia ossos, sangue e órgãos que de alguma forma sobreviviam a incontáveis ferimentos. Eu não tinha o conceito de um eu espiritual ou um eu etéreo com quem Mytria dizia ter se fundido no Coração. De fato, eu não tinha outro conceito daquela experiência além de ser um sonho "sexy".

Entretanto, finalmente eu confiava em alguém. Eu confiava absoluta e totalmente em Mytria. Eu confiava que ela podia fazer minhas energias subirem da minha coluna até meu coração ou até minha mente. Porém, eu não tinha o conceito de que poderia realizar isto sem a ajuda dela. Era esse conceito que me perturbava muito. Estaria sendo hipnotizado por alguém que me mostrava uma visão de realidade que jamais poderia ser minha?

De novo ela leu meus pensamentos.

"Creio que já teve o suficiente até aqui. É hora de você partir numa busca de visão."

"Busca de visão? O que é isso?" eu disse de um modo nervoso.

"Ela cansou de ser minha professora, pois fiquei fraco aos seus olhos", eu pensei. "Toda esta experiência foi uma fantasia, uma desculpa para ignorar meus deveres. O que eu estava pensando? Como pude ousar ser diferente de todos os homens de tantas gerações quanto eu podia enumerar? Uma busca da visão, HA! Fora da minha casa é mais adequado."

Mytria não se uniu à minha batalha interna.
Ela simplesmente se virou e foi para a gruta.



Fonte: http://suzanneliephd.blogspot.com/
Tradução para os Blogs SINTESE e DE CORAÇÃO A CORAÇÃO: 
Selene - sintesis@ajato.com.br 
http://blogsintese.blogspot.com/ 
http://stelalecocq.blogspot.com/ 
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