terça-feira, 13 de março de 2012

DEUS DISFARÇADO DE VOCÊ



DEUS DISFARÇADO DE VOCÊ
por Michael Berg



O guarda na porta da prisão é totalmente implacável.

O tratamento brutal dado aos prisioneiros tem perdurado por milênios, e agora os prisioneiros estão derrotados, sem esperanças, encolhidos em seus colchonetes, olhando para fora pelas barras de suas celas. Um dia bom é simplesmente aquele em que resistimos sem sentir dor.

O guarda, o Oponente, convenceu seus prisioneiros de que somos pequenos e insignificantes, quando na verdade, por mais fantásticos que possam ser nossos sonhos de realizações, eles não chegam nem a arranhar a superfície do que de fato é possível.

A verdade é, estamos destinados a nos tornar Deus, mas fomos enganados e convencidos a nos tornar prisioneiros, posando como formigas, indiferentes ao assustador abismo entre o que somos e o que poderíamos ser.

Ficamos saltando para frente e para trás entre ações e reações.

Podemos ser infinitos.

E até começarmos a compreender este potencial, ficaremos deitados com indiferença nos colchonetes de nossa prisão.

De acordo com a Bíblia, "O homem foi criado à imagem de Deus, à imagem de Deus o homem foi criado".

A Cabala nos ensina que não existem palavras supérfluas na Bíblia.

Sendo assim, por que a repetição?
Ela instiga o leitor a prestar atenção.

Não deixe isso escapar, você foi criado à imagem de Deus.

Você tem a mesma essência e, portanto, o mesmo potencial que Deus.

Você está destinado a se tornar como Deus, então pergunte a si mesmo, eu já sou como Deus?

Estou manifestando poderes divinos?

Consigo curar doentes e abençoar pessoas?

Ressuscitar os mortos?

O padrão de medida repentinamente se estende ao infinito.

Eu não me meço mais em relação a mim mesmo.
Eu meço a mim mesmo em relação a Deus
.

Este é o nosso potencial, quem quer que sejamos, quaisquer que sejam nossos impedimentos, reais ou imaginados.

Moisés era fisicamente frágil e tinha um defeito de fala.

A grandeza não está reservada para os grandes.

Os grandes são simplesmente aqueles que se ergueram para ir ao encontro de seu destino. Todos os que estão vivos têm um destino infinitamente mais rico do que imaginam.

O aborrecimento e o tédio provêm de um potencial não atingido ou abandonado. São os índices de audiência da televisão aumentando. É ficar jogando videogame no computador quando seu destino é compor sonatas.

Se você não está fazendo o que está destinado a fazer – e cada pessoa está destinada a alguma coisa incrível – você nunca desfrutará do contentamento.

Imagine o Dr. Jonas Salk (inventor da vacina contra poliomielite) se tornando um homem de negócios bem-sucedido, um cidadão generoso e um pai maravilhoso, mas jamais tendo entrado num laboratório.

O que poderia parecer uma vida boa teria sido na verdade algo trágico, porque a dor e o sofrimento que ele estava destinado a eliminar nunca teriam sido removidas do mundo.

Um grande líder espiritual com milhares de alunos e autor de muitos livros certa vez contou sua história.

Quando eu tinha 11 anos, eu era um caso perdido como estudante. Não prestava atenção nos professores e sempre que podia matava aulas na escola. Até que numa certa noite, ouvi meus pais no quarto ao lado falando de mim.

Minha mãe estava chorando: "O que vamos fazer com nosso filho? Ele não tem interesse nos estudos. Não quer ir à escola e qualquer dia acaba sendo expulso. O que será dele então?"

Enquanto eu ouvia, ocorreu algo estranho: senti a angústia dela tão intensamente como se fosse minha. Corri para dentro do quarto e pedi desculpas para ela. Prometi que seria um aluno bom e obediente daquele momento em diante.

Fiz esta promessa não por me preocupar com os estudos, mas sim com minha mãe, e não queria causar dor a ela. Mantive minha palavra e mudei meus modos. Tornei-me estudioso e nunca perdia um dia de aula, e acabei me tornando o erudito que vocês vêem agora a sua frente.

O que quero dizer é o seguinte: se eu não tivesse escutado meus pais conversando naquele dia, o que teria sido de mim? Bem, eu teria sido uma boa pessoa, já que isto fazia parte da minha natureza. Eu teria rezado, teria feito doações para a caridade, teria possibilitado que outras pessoas ganhassem um bom salário.

No entanto, imagine o que teria acontecido depois que eu tivesse deixado este mundo e chegado ao lugar chamado "corte celestial". Meus julgadores iriam dizer: "Onde estão seus milhares de alunos?" Eu olharia pasmo para eles e responderia: "Do que vocês estão falando? Eu fui um comerciante e fiz bons negócios, mas eu não tinha informação para compartilhar nem para um punhado de alunos, quanto mais milhares. Vamos falar, em vez disso, sobre as somas de dinheiro que eu dei para a caridade."

E eles então diriam: "Onde estão as dúzias de livros que você deveria ter escrito?"

Novamente, eu olharia para eles como se estivessem desvairados. "De que 'dúzias de livros' vocês estão falando? Eu não era analfabeto - sabia ler e escrever -, mas não tinha motivos para escrever livros; não tinha nada para ensinar para ninguém. Vamos falar, em vez disso, sobre as muitas bondades que conferi a meus amigos, a minha família e a meus clientes."

Eles me mostrariam então tudo que eu poderia ter realizado, tudo que eu deveria ter feito. Dá para imaginar a dor que eu teria sentido naquele momento? Não existe inferno pior do que ver o que poderíamos ter feito, mas que na verdade deixamos de fazer.

Esta é então a medida: Onde estou, não tendo como referência os outros. Mas tendo a mim mesmo como referência? Onde estou no Caminho de meu próprio potencial?

O crescimento não deve ser linear, mas exponencial. Um pequeno crescimento aumenta nossa sensação de satisfação exponencialmente, e cada passo torna o seguinte mais fácil.

Se nossos pensamentos e ações não estão nos levando em direção a Deus, precisamos mudar.

Que progresso estamos fazendo?
Isto não pode ser quantificado por ninguém fora de nós mesmos.

Precisamos nos perguntar o seguinte: Se continuarmos na trajetória de nossa vida por 5, 10 ou 20 anos, aonde chegaremos? Já teremos nos tornado Deus? A resposta deveria nos fazer repensar nossos esforços.

À medida que dissolvemos as correntes de nossa prisão e unimos nossa essência novamente com a essência de Deus, revelamos nossa natureza divina cada vez mais.

Por fim, podemos nos tornar imortais e, até mesmo, ressuscitar os mortos. É essa visão que mantemos fixa diante de nós.

Até que isso ocorra, o Oponente fará seu trabalho como supremo guarda da cela da penitenciária que habitamos, e principal diretor executivo em nosso sistema universal de dor e sofrimento. Sua tarefa é garantir que não atinjamos o nosso potencial.

No entanto, se pudéssemos acreditar, nem que fosse somente por um minuto, em quem realmente somos e em como é grande o nosso destino, o equilíbrio mudaria e nós emergiríamos da prisão, não como prisioneiros, mas como Deus.

O Mundo em Equilíbrio

Estamos aprisionados num paradigma de insignificância.

O que dizemos não importa.
O que fazemos não tem efeito.

Somos isolados, separados, finitos.
Somos pedras.

Compreender o nosso potencial destrói o paradigma da insignificância e leva a mais uma compreensão: tudo importa; tudo conta; tudo afeta todo o resto.

O oponente nos mantém convencidos de nossa impotência, sendo que, a cada ação, o mundo se encontra na balança e nós estamos afetando os braços da balança

Se cometermos uma ação negativa hoje, alguém do outro lado do mundo pode receber a energia negativa que nossa ação lançou no universo. Por sua vez, ele ficará inclinado a fazer algo negativo e a negatividade crescerá exponencialmente. Por fim, ela retornará à pessoa que a originou.

Na época do grande cabalista Rav Isaac Luria, viveu um eminente sábio e estudioso chamado Rav Yosef Karo.

Certa vez, depois de semanas de meditação em cima de um trecho difícil da Bíblia, Rav Karo descobriu seu significado mais profundo. Deliciado, ele apresentou a questão para um aluno, esperando que este iria apreciar a explicação do mestre.

Para sua surpresa, o aluno imediatamente enxergou a resposta.

Rav Karo não conseguia acreditar que o que lhe tinha tomado semanas de estudo intenso para descobrir, tinha custado ao aluno uns poucos minutos.

Desanimado, começou a se questionar.
Talvez o seu prestígio fosse excessivo.
Talvez ele devesse desistir de ensinar.

Caminhava sem rumo pelas ruas e encontrou o eminente Rav Luria, que lhe perguntou por que estava tão abatido.

Depois de ouvir pacientemente, Luria falou:

Havia um vilarejo cuja água vinha de uma fonte no alto de uma montanha. Poucos aldeãos tinham forças para caminhar até o topo, por isso era tarefa de um homem buscar água para todo o vilarejo. Ele levava muitas horas enchendo baldes enormes. Quando terminava, todos vinham e enchiam seus pequenos copos a partir desses baldes, o que, obviamente, só levava alguns minutos. Mesmo para o mais fraco deles aquilo não era problema. O que estou dizendo é que suas semanas de trabalho abriram um canal de entendimento. Uma vez aberto o canal, ficou simples para seu aluno entender também.

O que pensamos e o que fazemos entra na consciência global e a modifica.

De acordo com o Rav Ashlag, toda vez que alguma pessoa remove algum fragmento do Desejo de Receber Somente para Si Mesmo, o aumento de consciência é acrescentado para a alma global.

Cada vez que um de nós revela mais de sua natureza divina, isso influencia o Ser coletivo.

À medida que você se torna como Deus, se torna mais fácil para outra pessoa se tornar como Deus.

O mundo está pendurado na balança.


Mensagem enviada por Priscila Pupo