sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

DINHEIRO E PODER





Parece que andamos confundindo o alerta contra adorar o dinheiro com a capacidade de utilizar o dinheiro como um recurso. Quase todo devoto que eu conheço que tem a aspiração de crescer espiritualmente — incluindo a mim mesma — teve de lutar com questões relacionadas com o dinheiro. Nossas histórias espirituais estão repletas de diretrizes para renunciarmos ao dinheiro em favor de Deus. Um dos pontos de renúncia é destruir os vícios e ilusões. Não há dúvida de que o dinheiro pode viciar muito e também pode ser uma armadilha virtual para a identidade.

Porém, a renúncia contra o dinheiro pode ser uma armadilha tão grande quanto o próprio fascínio pelo dinheiro. Ela põe o dinheiro de lado e diz: “Isso não é coisa de Deus.” Desconfio que todo recurso que excluímos da totalidade é menos coisa de Deus e mais da polarização que cresce a partir dos nossos medos. Historicamente, atribuímos ao dinheiro uma ou outra polaridade moral. Ou pensamos que ter dinheiro era um sinal da bênção de Deus ou que ele reinava supremo como arquiinimigo da espiritualidade. Em vez de sermos neutros, encarando o dinheiro como uma criação humana, um dos símbolos convencionais de valor, instituímos o dinheiro como um campo de batalha entre o espírito e a matéria. Se o seu compromisso exige dinheiro, este será magnetizado para você se você for inflexível na sua crença sobre aquilo de que necessita. Você também pode bloquear o dinheiro se subconscientemente pensa que não o merece.

 A essa altura, você tem de fazer a si mesmo algumas perguntas cruciais:

 Consigo manipular o dinheiro com responsabilidade mas com indiferença?

 Vejo realmente o dinheiro apenas como mais um recurso — assim como os meus talentos, o meu tempo ou a minha energia?

Tento deixar Deus longe de minhas finanças pessoais para enfrentar isso sozinho?

 Eu realmente acredito que aquilo que sou não tem relação com a quantidade de dinheiro que tenho?

Minha identidade como ser espiritual é suficientemente clara para que eu possa ter dinheiro?

 Desconfio secretamente que alguém lá fora está me abençoando ou me negando dinheiro?

 Minhas atitudes em relação ao dinheiro são realmente minhas, ou eu meramente interiorizei a opinião dos outros?

 Ao se comprometer com seus propósitos superiores, uma grande força pode começar a se movimentar através de você. Não se trata de sua força pessoal, mas da força universal — a força de Deus, se você preferir. Mas ela vem através de você pessoalmente. Conheço um mestre que diz que as pessoas estão muito mais desejosas de ser o amor de Deus na Terra do que o poder de Deus.

Pergunte a si mesmo:
Está tudo bem se a força espiritual agir através de mim?
Alguma parte de mim acha que isso não é bom?
Eu tenho medo disso?
Tenho medo de não usá-la corretamente?
Eu não sou digno dela?

 Se o meu compromisso me conduz a uma posição-chave, que afeta outras pessoas e promove mudanças, será que o meu ego consegue permanecer neutro diante disso?  Como aprendizes sérios da espiritualidade, temos de resolver nossa ambivalência pessoal em relação ao dinheiro, ao poder e a muitas outras questões. E isso pode surgir durante um ciclo de compromisso. Para fixar completamente o compromisso que estamos sendo levados a assumir, precisamos desenvolver um ponto de convergência — uma visão centralizada única.
Uma boa técnica para reforçar um compromisso é fazer aquilo que uma amiga denomina “sentir-se à vontade com ele”. Minha amiga é cantora e foi para Nova York com a fama na cabeça. Logo encontrou um homem e se tornaram bons amigos. Quando ela lhe contou que sabia exatamente qual era a gravadora com a qual queria trabalhar, ele a aconselhou a “ficar à vontade” com essa gravadora. Então, todos os dias ela imaginava que estava cantando com o apoio da tal gravadora. Começou a pensar em si mesma como uma de suas artistas. Ela vivia aquilo, respirava aquilo. E dentro de um ano já tinha um contrato com essa gravadora. No entanto, há um desfecho para a sua história que vale a pena conhecer. A gravadora não conseguira encontrar um repertório que combinasse com a voz da cantora. Ela estava legalmente comprometida com eles mas não estava cantando. Ela levou mais um ano para cancelar o contrato e dar novos rumos à sua carreira.

Essa história é um bom exemplo de focalização da visão única. Eu só gostaria de acrescentar uma palavra de precaução: seja muito claro e muito cuidadoso com aquilo que pede nas orações, porque é provável que o consiga. Aquilo com que você se compromete é a sua oração.

As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 201